
João
Augusto Conrado do Amaral Gurgel, que em 1969 montou a fábrica da
GURGEL, com a proposta de produzir veículos 100% nacionais. Era um homem
visionário, o qual sonhou que poderia rivalizar com grandes montadores,
acreditou em nosso país e em nossos governantes, investindo tudo que
tinha no seu sonho.
Infelizmente João Gurgel havia nascido no país errado.
Muito
a frente de seu tempo, ele produziu veículos compactos, de fibra de
vidro, que faziam 25 km/litro, veículos elétricos, e isso em 1980,
baratos em comparação com os estrangeiros, hoje algo em torno de R$
12.000,00. Era crítico do programa Pró Álcool, pois na sua concepção as
imensas fazendas produtoras de cana de açucar deveriam produzir
alimentos para o povo e não combustível para carros, por isso era adepto
do carro elétrico, entretanto seu maior erro foi acreditar nas
autoridades e governo brasileiro.
O
povo já tem o péssimo hábito de depreciar o produto nacional, por isso
ser empreendedor no Brasil é algo extremamente difícil, pois aqui além
da burocracia excessiva, alta carga tributária, corrupção e muito lobby a
favor das grandes multinacionais, ainda mais na área automobilística,
onde há um verdadeiro cartel (grupinho fechado de montadoras que
assemelham seus preços), por isso que tomando como exemplo, Pálio, Gol,
Fiesta, Corsa, são todos nas mesmas faixas de preços, e isso vai dos
carros “populares” aos mais caros.
Por
esse lobby também há uma super taxa dos concorrentes importados, coisa
de 70%, o que não seria um absurdo se o carro aqui no Brasil fosse um
preço razoável, mas não. Aqui se compra o carro mais caro do mundo,
sendo um verdadeiro paraíso para as grandes montadoras, pois aqui elas
estipulam os preços que querem, fazendo lucros abusivos sobre os valores
dos carros.
Retornando
a Gurgel, seus carros faziam sucesso ainda moderado, mas era só o
começo e em pouco tempo aumentaram a produção dos veículos.
Com
o sucesso, Gurgel quis alçar objetivos mais altos, tomando altos
empréstimos para isso, assinou um termo de intenções com o então
governador Fleury SP e o governador Ciro Gomes CE, imaginando que os
governos apoiariam o produto nacional, entretando, curiosamente negaram o
prometido aporte financeiro ao empreendimento nacional, na mesma época
surge o famigerado Plano Collor, confisco de poupanças, greves
portuárias, tudo parecia tramar contra Gurgel e seu sonho.
O
governo ao invés de favorecer o nacional, reduz o IPI para carros com
menos de 1000 cc, surgem assim concorrentes de peso, o Fiat Uno Mille e
Gol 1000.
Sem o apoio do governo, a Gurgel pediu concordata em junho de 1993.
Em
uma última tentativa de salvar a fábrica, em 1994, foi feito um pedido
ao governo federal para um financiamento de US$ 20 milhões à empresa,
mas este foi negado, inacreditavelmente o então presidente Itamar
Franco, preferiu apoiar o retorno do Fusca, pois queria um veículo
“popular” e “barato” para a população em geral, ao invés de investir nos
carros da Gurgel, dando golpe de misericórdia no empresário, assim a
fábrica foi declarada falida em 1994.
O
boicote feito contra a Gurgel Motores, é algo muito claro, ele foi
vítima da conspiração e da pressão do cartel estrangeiro aqui atuante,
em conluio com certos governantes acovardados e entreguistas que, na
‘hora H’, negaram o prometido aporte financeiro ao empreendimento
nacional, e também a omissão da grande imprensa e de seus formadores de
opinião, bem como o arraigado preconceito da nossa gente com produtos
que não sejam estrangeiros, acabando assim com um sonho de um
visionário, que devido aos fatos narrados, abatido pela dura realidade
de nosso país, veio a adoecer, sofrendo do mal de Alzheimer havia oito
anos, morreu 2009, aos 82 anos, praticamente caiu junto com sua empresa.
No
final das contas, vemos hoje em dia os resultados de um plano
maquiavélico, acordado entre o governo da época e os grandes empresários
da indústria automobilística estrangeira para sanar qualquer
crescimento da indústria nacional de carros.
Se
pararmos para pensar que não só os preços dos automóveis seriam bem
menores no Brasil, mas que também estaríamos a quase 20 anos evitando a
queima de combustíveis fósseis, podemos concluir que o governo não
somente criou um problema financeiro com o caso, mas também colhe hoje
em dia o resultado da falta de consideração com o meio ambiente.
"Você leitor, acredita que se o governo tivesse investido na
industria automobilística nacional e em planos de veículos movidos a
energia elétrica ao invés de combustão, hoje, a realidade do Brasil
seria outra?"
Fonte : Revellati online
Tô nem aí
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